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De 18 a 20 de novembro de 2019
Trabalhos da equipe LV apresentados no 13o LEPSI 2019




Título: Projeto Escolas Protagonistas: o efeito formativo do encontro entre escolas

Autor(a): Maria Eugênia Pesaro
Coautor(a): 
Cristina Keiko Inafuku de Merletti
Contato: meugeniapesaro@gmail.com, crisinafuku@yahoo.com.br
Eixo: Psicanálise, Mal-estar docente e formação
Resumo: A experiência acumulada com a prática da Educação Terapêutica (Kupfer, 2000, p.83), entendida como um conjunto de procedimentos terapêutico-educacionais, dirigidos às crianças, a seus professores e a seus pais e, que visa ao restabelecimento ou à construção da estruturação psíquica de crianças com entraves estruturais em sua constituição psíquica (entre elas as crianças autistas e psicóticas), levou o Lugar de Vida a construir parcerias com as escolas no acompanhamento terapêutico-educacional dessas crianças. As parcerias com as escolas foram, desde o início, orientadas pela preocupação com a busca constante de fundamentos teóricos capazes de dar consistência e solidez as práticas escolares com essas crianças, rumo a uma escola para todos, o que também incitou a uma construção permanente de eixos teóricos capazes de auxiliar o trabalho dos professores na escolarização das crianças. Apresentaremos as modalidades de parcerias realizadas para destacar a especificidade da parceria atual, denominada de Projeto Escolas Protagonistas e a fundamentação de uma nova pergunta: o que uma escola pode fazer por outra? Desdobramento de uma pergunta anterior: o que uma criança pode fazer por outra? Pergunta oriunda do trabalho em grupos terapêuticos. (Kupfer, Pinto & Voltolini, 2010). Considera-se que o Lugar de Vida vem sustentando uma transmissão da psicanálise aos educadores nestas modalidades de parcerias ao reintroduzir a subjetividade do professor como ferramenta para a construção de suas práticas pedagógicas, assim como uma leitura do aluno que o considera como um sujeito ao reconhecer a sua singularidade. Também são incluídos os efeitos subjetivantes dos encontros entre os pares aluno-aluno e professor-professor e, os efeitos dos encontros entre escolas. A primeira dessas parcerias, que se mantém até hoje, é a reunião aberta de professores (Pesaro & Castro, 2017), cuja primeira nomeação foi a de reunião do Grupo Ponte (Colli, 2005). As reuniões se orientam por alguns fundamentos teórico-clínicos, dentre eles, o instrumento da escuta e a confrontação com o próprio dizer (Bastos, 2005). Também fundamenta a reunião o eixo teórico A Função do Semelhante, principalmente no que concerne aos efeitos de identificação entre os pares (Lacan, 2003). Uma outra parceria, que ocorre em paralelo as reuniões abertas de professores, é o acompanhamento escolar de cada uma das crianças atendidas no Lugar de Vida. Para o Lugar de Vida, a escola oferece mais do que a chance da criança com entraves estruturais aprender. A escola é também uma ferramenta terapêutica ao desregramento psíquico dessas crianças: a escola pode propiciar uma segunda chance de organização psíquica, seja pela oferta dos conteúdos escolares, dos conhecimentos ou pela sua própria estrutura institucional organizada por leis que regem as relações entre os humanos. A experiência com essas parcerias descritas acima, levou-nos a propor um novo projeto de trabalho com as escolas, denominado Projeto Escolas Protagonistas (Kupfer, Patto & Voltolini, 2017) que está em sua terceira edição. O Projeto é uma sistematização das diferentes ações com a articulação de quatro tempos e que foi nomeada de Metodologia do estudo de caso da escola (p.11). Considera-se que o encontro entre as escolas (uma escola ao escutar a outra) tem produzido efeitos de desnaturalização de práticas e de estabelecimento de parcerias para o enfrentamento dos impasses (uma escola reconhece a diferença da outra escola). Sustenta-se assim que os encontros entre as escolas são orientamos pela lógica e pela posição não-toda (Lacan, 1972-37): trata-se da construção e da sustentação de uma parceria na qual todos tem o seu saber não-todo sobre a criança, sobre a família, sobre a educação que é, ao mesmo tempo, incompleto e que barra o saber do outro. Esta é uma das possibilidades do que uma escola pode fazer pela outra.

Título: Diagnósticos psiquiátricos selados na primeira infância: efeitos no percurso de subjetivação Eixo: Psicanálise, Infância, adolescência

Autor(a): Marina Belém Lavrador – USP _ Universidade de São Paulo

Coautor(a): Laura Carrasqueira Bechara




Contato: marina.lavrador@gmail.com, lauracbechara@gmail.comResumo: Neste trabalho, discutiremos os impactos que a atribuição de diagnósticos psiquiátricos a crianças em sua primeira infância pode produzir em seus processos de subjetivação, ao destituírem as manifestações de cada criança de seus sentidos singulares e o saber dos pais sobre seus filhos. Em especial, procuraremos debater a profusão de diagnósticos precoces que vem sendo atribuídos, por diversos profissionais médicos, ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) a crianças entre 1 e 3 anos de idade. Intenta-se problematizar como tal nomeação pode promover ou agravar entraves no processo de constituição subjetiva dessas crianças, selando destinos e operando na direção de um fechamento da produção de novos sentidos às manifestações e sintomas de cada criança em sua singularidade. Partindo da experiência de clínica psicanalítica institucional da primeira infância ocorrida no Lugar de Vida Centro de Educação Terapêutica, apresentaremos esta discussão a partir de dois casos de crianças pequenas (cerca de dois anos e meio) em atendimento em dispositivo de grupo terapêutico que receberam o diagnóstico de TEA precocemente. Os casos expõem de que maneira um diagnóstico fechado precoce pode implicar na cristalização da criança também em um lugar discursivo no qual poderá ser tomada no âmbito familiar e também no âmbito escolar, quando não fizer frente ou questionamento ao laudo médico recebido. Diante dessa problemática, discutiremos estratégias de intervenção, a partir da ética da psicanálise, para fazer resistência a esses efeitos iatrogênicos provocados pelo diagnóstico médico, de modo a restituir o saber dos pais sobre seus filhos e possibilitar um desvelamento de sentidos que permita mudanças de posição da criança, tais como: escuta psicanalítica mãe-criança, intervenções em momentos de encontro dos pais em grupo (que aproveitem o que uma mãe ou pai pode fazer pelo outro) e nomeação, em momento de escuta individual dos pais, de um saber a partir de outra lógica diagnóstica que leve em consideração o sujeito e sua posição subjetiva. Em relação a esse último aspecto, o uso de instrumentos como o IRDI (Indicadores de Risco do Desenvolvimento Infantil) (Kupfer e Bernardino, 2018) e o APEGI (Avaliação Psicanalítica em Escolas, Grupos e Instituições) (Kupfer, Bernardino e Pesaro, 2018), para apresentar às famílias nosso saber e metodologia de trabalho, tem funcionado como forma possível de se sustentar uma diagnóstica que marca uma diferença em relação ao diagnóstico psiquiátrico precoce. Espera-se com este trabalho transmitir a importância de se sustentar com as famílias e com as escolas uma hipótese diagnóstica aberta, em constante revisão pela equipe de tratamento, enquanto posicionamento ético para com o sujeito na primeira infância. Referências Bibliográficas: Kupfer, M. C., Bernardino, L. M., & Pesaro, M. E. (2018). Validação do instrumento "Acompanhamento Psicanalítico de Crianças em Escolas, Grupos e Instituições (APEGI)". Estilos Da Clinica, 23(3), 558-573. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v23i3p558-573. Kupfer, M. C. M., & Bernardino, L. M. F.. (2018). IRDI: um instrumento que leva a psicanálise à polis. Estilos da Clínica, 23(1), 62-82. https://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v23i1p62-82