Entre as atividades clínicas do Lugar de Vida, contamos com a Oficina de Música, um dispositivo de grupo terapêutico com algumas particularidades.

Como nos nossos grupos terapêuticos, apostamos na capacidade das crianças com dificuldades na interação social de ajudarem umas às outras, recriando realidades subjetivas e realizando trocas terapêuticas entre si, desta vez  acompanhadas de uma nova linguagem: a música.

Percebemos que a música tem um poder único de despertar a escuta, a atenção, a curiosidade e o encantamento das crianças. Crianças com diferentes modos de se relacionar mantém a capacidade de se sensibilizar pelas melodias, ritmos e brincadeiras musicais.

Na oficina, descobrimos como som e silêncio estão profundamente relacionados. Podemos, com atividades musicais, aprender a escutar o outro enquanto somos reconhecidos em nosso próprio lugar de enunciação. Cada um tem uma voz singular, única que pode ser escutada e valorada pelo grupo sem ser submetida ou anulada por nenhuma outra.

A música não depende da palavra, mas também é um outro modo de introduzir a palavra oral na vida da criança. Canções, jogos e brincadeiras musicais trazem a palavra cantada, que soa diferente, está ligada a outras emoções e pode construir uma ponte muito interessante para a fala.

Apostamos na oficina de música também porque é algo que fazemos juntos. Sendo a música uma linguagem de troca, a partir dela promovemos encontros, brincadeiras, diálogos e construímos novos caminhos para cada um e para o grupo. Caminhos que às vezes se unem, às vezes se separam, mas muitas vezes se constroem em conjunto. A linguagem musical recria relações,  deslocando estigmas e desenvolvendo (ou simplesmente possibilitando que venham à luz) novas potencialidades em cada criança. Deste modo, apostamos que a Oficina pode ter um efeito positivo na qualidade do laço social estabelecido pelas crianças.

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